Com a grande repercussão da operação Carne Fraca, você pode estar ouvindo muitos dos seus pacientes dizendo "nunca mais vou comer carne!" e "e agora, como faço pra comer minhas proteínas?"
Como enfermeiro(a), você pode ajudá-los a entender que existem outras fontes alimentares que podem ajudar complementar a ingestão recomendada de proteínas, caso eles realmente decidam reduzir ou cortar o consumo de carne (seja por um tempo, ou pra vida toda).
É importante lembrá-los de que as proteínas são indispensáveis para a saúde, pois além prover de valor energético (fornecem 4 KCal/g), são fontes de
aminoácidos essenciais que atuam como construtores e renovadores, sendo os principais responsáveis pelo crescimento e manutenção do organismo.
No nível orgânico, as proteínas tem funções de defesa (imunoglobulinas, por exemplo), transporte (o HDL é uma lipoproteína que transporta o colesterol), reguladoras (atuam na formação de vários hormônios) e enzimáticas.
As necessidades nutricionais do paciente dependem da sua idade, do estado fisiológico, do gasto energético (metabolismo basal e nível de atividade física) e de patologias existentes.
De forma geral, os valores recomendados para adultos variam de 0,8g a 1,0g de proteína por quilo de peso corporal. Isso corresponderia a aproximadamente 10-35% da proporção de energia necessária para o organismo funcionar.
OBS: Atletas, crianças, idosos e pessoas com ingestão energética reduzida tem valores diferentes.
Dito isto, para que possa atender de forma satisfatória a essas necessidades nutricionais é ideal que a proteína seja de alta qualidade.
Antes, algumas definições:
- Proteínas completas são aquelas que fornecem todos os aminoácidos essenciais em quantidade suficiente.
- Proteínas de alta digestibilidade são aquelas que tem seus aminoácidos absorvidos mais facilmente no processo de digestão.
Proteínas de alta qualidade (ou de alto valor biológico) são as que combinam os dois fatores, ou seja, fornecem todos os aminoácidos necessários e são fáceis de serem absorvidas pelo organismo.
Existem, basicamente, dois grupos de proteínas: as de origem animal e as de origem vegetal.
As de origem animal são as mais ricas em aminoácidos e são consideradas de melhor qualidade do que as vegetais. Também possuem alta biodisponibilidade de ferro, ou seja, boa quantidade do ferro ingerido na carne será efetivamente absorvida pelo organismo.
Suas principais fontes são:
- Leite e derivados: 2 a 3,5%
- Carne, aves e peixes: de 15 a 30%.
- Vísceras (língua, fígado, rins, pulmão, testículos): São mais ricas em vitaminas e minerais que a carne do músculo.
- Ovos: ~13% (a clara tem 11% de proteína e 89% de água. A gema possui 16% de proteína e é rica em fósforo e nucleoproteína.)
Importante: Deve-se aconselhar o paciente que ainda queira consumir proteínas animais, a preferir as que contiverem menor quantidade de gordura (proteínas magras, carnes sem peles e gorduras visíveis), e a ingerir com moderação, devido ao alto teor de gorduras saturadas e colesterol presentes nessas fontes alimentares.
As de origem vegetal são importantes por terem também um alto teor de vitaminas e fibras, mas são consideradas proteínas incompletas. Por esse motivo, é necessário complementar a ingestão através de combinações numa mesma refeição, como é o caso do famoso arroz e feijão (proteína de um cereal com a proteína de uma leguminosa). Essa combinação aumenta o valor biológico dessas proteínas. Suas fontes são os grãos, leguminosas (como feijões e vagens), oleaginosas (nozes, castanhas, etc), cereais (arroz, trigo, aveia, e outros).
Alguns valores (para 100g do alimento):
- Ervilha: ~5,42g
- Chia: ~16,54
- Feijão: ~8g (o preto é o mais proteico)
- Grão-de-bico: ~19,30g (cru); 22,39g (farinha)
- Gergelim: ~17,73g (cru); 40,32g (farinha)
- Amêndoa: ~21,15g
- Castanha de caju: ~18,22g
- Soja: ~36g (varia com o preparo)
OBS: Cuidado com a soja: há estudos que relacionam o consumo excessivo da soja a alergias, problemas de tireóide e câncer, e seus fitoestrógenos a problemas de saúde masculina. Procure sempre se informar para orientar seu paciente da melhor forma possível!
Sabendo dessas informações, se o seu paciente decidir que não quer mesmo ingerir carnes, sugira que faça combinações variadas de alimentos vegetais que contenham alto teor de proteínas.
Algumas combinações interessantes:
Por fim, é
MUITO IMPORTANTE que você trabalhe sempre em sintonia com toda a sua equipe! O bem-estar e a recuperação do seu paciente, assim como sua educação em saúde são de responsabilidade coletiva. O papel do
Nutricionista é fundamental nesse contexto;
converse sempre com ele!
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Fontes:
Food and Agriculture Organization of the United Nations (FAO): The Amino Acid Content of Foods and Biological Data on Proteins
Revista Brasileira de Nutrição Clínica
Associação Brasileira de Nutrição (ASBRAN)
United States of Department Agriculture (USDA) Inglês
Nutrient Recommendations: Dietary Reference Intakes (DRI) Inglês
BRIDI, ANA M., Consumo de carne bovina e saúde humana: convergências e divergências
Imagens:
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